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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

O que rebenta um balneário

Mais um despedimento e novamente a conversa do grupo que mina o balneario. Eu não conheço os jogadores em questão (Pizzi, André Almeida e Rafa. Antes também se falava em Samaris ou Gabriel) nem tenho informações previligiadas do balneario (o que nos tempos que correm até me faz sentir um excluido). O que eu sei é que problemas de balneario como o que aconteceu com Jesus acontecem quando os jogadores (todos ou praticamente todos) estão insatisfeitos. Quando não acreditam nas ideias. Quando não se ganha.

O primeiro a sair foi Rui Vitória porque decidiu a certa altura alterar o sistema para 4-3-3 para poder encaixar Pizzi no meio-campo. Com os resultados que se viram. Naquela altura era Pizzi e mais 10 e ele tinha o lugar dele garantido. Se o esquema mudasse seria obrigado a lutar por um lugar com Salvio na direita. Em termos individuais Pizzi era talvez o que menos lucraria com a mudança. A verdade é que o tempo depois deu razão na troca de treinador. Num 4-4-2, com os jogadores nos sitios certos, com todos a acreditarem naquilo que estava a ser feito fizeram a melhor segunda volta de uma época e a melhor primeira volta na época seguinte.

Tudo corria bem. Batiam-se recordes atrás de recordes internamente. Até que chegou Weigl. Em 2020 com a equipa destacada na liderança chegou, assinou e foi logo titular. Algo que já não se via desde os tempos do Vietnam onde se entendia uma vez que qualidade e os resultados positivos não abundavam. A equipa foi começando a ter dificuldades para ganhar jogos e quando vieram o jogo do Dragão e com o Braga em casa começou a ficar visivel que Weigl não tinha andamento para isto. O jogo que para mim foi o click negativo no balneario foi o 3-3 com o Shaktar. Nesse jogo houve um esforço brutal da equipa. Por duas vezes tivemos na frente da eliminatória e por 2 vezes com uma facilidade inacreditável o Shaktar empatou o jogo. Para mim na cabeça daqueles jogadores ficou claro que com Weigl não ia dar. Deixaram de acreditar. Foi nessa altura que eu senti que toda a equipa tinha baixado os braços. Nem mesmo com a entrada de Verissimo nos ultimos jogos a coisa melhorou.

Já Jesus cometeu o mesmo erro de Rui Vitória. Alterou o sistema para poder encaixar Weigl na equipa, mas os jogadores não se sentiam confortáveis nele. Não acreditam naquilo porque têm de andar a puxar a equipa com um peso em cima. Por mais do que uma vez se notou o descontentamento dos jogadores em campo para com Weigl. Porque ele se esconde do jogo. Protege-se em vez de proteger a equipa. Ainda no ultimo jogo ninguém viu o Weigl nos primeiros minutos de jogo. Desapareceu. Quando os viu a entrar com aquele andamento até teve de mudar de cuecas ao intervalo.

Por isto é que eu acredito que o grande problema é esta insistencia cega de colocar Weigl na equipa. De toda a proteção que ele tem. Da diferença de cobrança entre ele e os outros. É isso que mata o espirito de uma equipa. É isto que rebenta um balneario.



 

Vejam bem as reações do Lucas Verissimo após mais uma autoestrada contra o Bayern ou de Otamendi após ir cortar uma bola sobre o homem que o Weigl marcava a 3 metros de distância. Esteve esse jogo inteiro a fazer o trabalho de Weigl. Vejam também as palavras de Otamendi sobre Meite. A forma como ele o elogia e fala que com minutos podia subir o seu nivel. E vejam o que disse o Ruben Dias após uma vitória contra o Guimarães, jogo em que Weigl saiu aos 30' depois de o Guimarães ter desperdiçado 4 oportunidades flagrantes de golo e não ter mais nenhuma nos 60' seguintes.

Isto são tudo sinais. E é verdade que não têm nem devem ser os jogadores a ter de falar disto. Não concordo que o Pizzi ou outro jogador questione as opções do treinador. É também para detetarem estes mal estares que existem diretores para o futebol. O Rui Pedro Braz pode não ter sensibilidade para estas coisas mas o Rui Costa e o Luisão deviam ter. O Luisão que até chegou a passar por situações destas.

Amanhã devemos jogar em 4-3-3. Já anda a ser pedido e prometido. Mais um sistema para encaixar o Weigl. Até acredito que com o efeito da chicotada apareça uma série de bons resultados e até se consiga começar a criar uma onda. Mas para mim inevitavelmente vai aparecer um Gil Vicente ou um Portimonense da vida que vão matar essa onda.

Só peço é que depois de mais uma tentativa de meter o Benfica a funcionar com este jogador equacionem de vez subsitui-lo. Enquanto é tempo. Porque a cada dia e a cada jogo que passa mais dificil vai ser para sair deste buraco.

2 comentários:

  1. Depois do 4-3-3 vai ainda temos com triângulo invertido, triângulo equilátero e até no meio campo em triângulo esdrúxulo ou triângulo em formato puta que pariu para testar, isto tudo em meios campos de 3, 4 ou 5 homens.

    Eu volto a dizer... A melhor tática é Weigl meio-campo afastado da equipa... Pelo menos.

    Mas há tanto ceguinho por aí. Vou postando às vezes do visão verde de mercado e hoje até andei no Reddit quando alguém reparou que o Lage subitamente teve uma queda... E a malta continua a não ver qual foi a única mudança aí.

    Quanto a toda a situação do Pizzi estou contigo... Vou lendo aí nos blogs o que se passa... É triste isto saber-se cá fora. Rui Costa em altura de mostrar que os tinha no sítio veio com jogadas à Veira... O próximo treinador vai ditar se teremos eleições ou não. Mas pelos nomes que se falam, a oposição que a prepare.

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    1. Vai aparecer outra coisa qualquer obviamente. O 4-4-2 losango, o 4-5-1 pentagono ou o 4-6-0 hexagono com ele a falso ponta de lança porque afinal as suas caracteristicas são as de um 9.75.

      O Lage tem uma carreira quase imaculada. Grande trabalho em todos os escalões de formação. Bom trabalho na B. Grande trabalho agora no Wolves e excelente trabalho no Benfica até... chegar Weigl. Lage tem anos sempre a fazer um bom trabalho e tem 3/4 meses do pior do que se viu no Benfica. Curiosamente foi o tempo em que jogou com o Weigl a titular.

      Outra coisa sobre Lage é que ele nessa altura testou várias situações com ele. Porque ouvimos dizer muitas vezes que o Weigl precisa é de jogar num meio campo a 3 ou que deve ter um médio mais atrás a guardar-lhe as costas. E isso já aconteceu. Lembro-me de jogos contra Gil Vicente, Tondela ou Santa Clara em que Taarabt se juntou a Weigl e a Gabriel ou Samaris. Já jogou também com Samaris mais atrás como contra o Maritimo onde Lage foi despedido. Naquela altura quando se viu que o rapaz não tinha condições para ser titular qualquer treinador o tirava da equipa até ao final da época e depois voltava a dar-lhe outra oportunidade na época seguinte. É por isso que eu já digo há muito tempo. Tem de existir alguma coisa no contrato de Weigl.

      Agora aos poucos e poucos vão reescrevendo a história. Apanhei uma discussão noutro dia num chat sobre Gabriel / Weigl. Um rapaz a dizer que o Gabriel tinha dado mais ao Benfica do que Weigl (escusado será dizer que apareceu a tropa de defesa). E outro a dizer que o Gabriel chegou num contexto favoravel e o Weigl não, quando o Gabriel entrou na equipa depois do Porto ter sido campeão e com o Benfica a 7 pontos deles. O Weigl entrou na equipa com o Benfica campeão e 4 pontos de avanço na Liga. Também já dizem que quando o Weigl entrou, o Benfica já estava em queda e a vencer a rasca quando estavamos até na melhor fase da época com goleadas no mês anterior a Maritimo, Boavista, Zenit e Famalicão. E ainda eliminação do Braga na Taça e vitória em Guimarães. É isto que eles consideram o Benfica já estar em queda. Daqui por 2 anos estão a dizer que o meio campo da reconquista era o Weigl com outro qualquer.

      A situação do Jesus é triste porque se percebeu desde o principio que o proprio queria que o despedissem. Queria sair do Benfica para ir para o Brasil. No Benfica sabe-se tudo. Ninguém defende o treinador. Ninguém ataca as arbitragens. Um treinador hoje em dia no Benfica é carne para canhão.

      Agora o Rui Costa teve esta jogada do Verissimo até ao final da época. Não se compromete com uma verdadeira escolha por 6 meses. Se correr bem é o maior. Se não, nestes 6 meses teve é a procura de um treinador para o seu projeto e vai fazer de conta que a época correu mal apenas por causa do Jesus.

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