Depois de João Gobern ter sido retirado da RTP por isto:
Quem já não esteve num café onde está sempre uma personagem irritante a ouvir o jogo no rádio e a gritar golo 5 segundos antes de aparecer a imagem na televisão???
Pelos vistos esse delay serviu para filmar o único elemento do programa que não estava a ter qualquer intervenção no momento.
Desta vez a vitima foi Júlio Machado Vaz,
despedido sem razão aparente.
As razões não são difíceis de encontrar. Para além de outras intervenções, Júlio Machado Vaz desmistificou por completo num programa, a teoria do Benfica ser o clube do regime, colocando inclusive, o "outro portista" a confirmar que essa teoria era mais uma mentira da propaganda pintista.
O momento delicioso deste video é Miguel Guedes, depois de ser abandonado pelo seu grande amigo Rui Oliveira e Costa e já sem argumentos (já é apanágio da maioria do portistas) dizer que o Porto é o clube que ganha mais títulos em "liberdade", fazendo crer que só não ganhou antes devido ao regime.
A resposta de Júlio Machado Vaz é espectacular: "Tens sorte em ganhar em liberdade e se tivesses perdido também tinhas sorte".
Para além disso ainda falou do Apito Dourado:
De referir esta tirada fantástica:
"O que é preocupante em determinadas práticas, nomeadamente em determinados rituais de hospitalidade é o seguinte: Tu não podes esperar que equipas de arbitragem que são recebidas, eu diria principescamente, a nível gastronómico e a nível lúdico (...) não facilite ou torne mais provável uma coisa. (...) Todos nós nos enganamos, mas se nós somos muito amigalhaços com determinadas pessoas, a probabilidade de nos enganarmos a favor dos interesses dessas pessoas, o psiquiatra garante, que é maior do que contra."
Depois a forma como fala do caso da visita de Augusto Duarte à casa da madalena, mantendo uma postura de suposta ingenuidade sem nunca questionar a história do aconselhamento familiar ao pai de Augusto Duarte, é formidável:
"Se alguém, árbitro ou não, vai a casa de uma pessoa pedir um favor destes... Porque há favores e favores e isto é uma coisa que nos toca aqui [apontando para o coração]. Estamos a falar de um pai, isto é muito importante. Espera-se que a pessoa com quem se vai falar tenha capacidade suficiente para ajudar [uma bicada espectacular a PC], não é uma pessoa qualquer. E agora se essa pessoa ajuda, manda a honestidade que nós lhe estejamos gratos. E eu não acho que seja saudavel que árbitros de futebol estejam gratos seja pelo que for a presidentes de clubes de futebol."
Uma verdadeira goleada de 15-0 que JMV deu neste bocado.
Posto isto mandaram-no embora. Já eram muitas lições e muitas bicadas que estava a dar, sempre com uma postura exemplar e de uma forma subliminar.
Enquanto estas areias na engrenagem da máquina pintista vão sendo eliminadas outros vão-se mantendo como por exemplo:
A ideia nestes programas não passa mesmo por alguém defender o Benfica. É por isso que elementos como este são tão
caros.
Para além disso elementos destes prestam serviço em vários órgãos de comunicação social e não apenas em um. É vê-lo com tiradas como esta no jornal Abola: "Pedro Proença merece o nosso aplauso. No que me diz respeito, e pelo feito impar que conquistou, respeitarei os seus erros."
Enquanto isso, no mesmo jornal, José Diogo Quintela e Ricardo Araujo Pereira, dois dos elementos que nunca deixaram esquecer o Apito Dourado e a forma como todos passaram impunes, foram recambiados depois de até textos seus serem censurados. É nesta "liberdade" que Miguel Guedes tanto se regozija de afirmar que o seu clube ganha.
E continua assim o futebol português. Uma imundice colossal. Irrespirável, Nauseabundo, Enojante.